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"SHUT UP, IDIOT! SHE DOESN'T NEED TO KNOW WE'RE GODLESS EVENS!"
Há uns 12 anos atrás, na aurora da TV a cabo no Brasil, o canal Multishow passava uma espécie de programação infantil (a partir das 9h da manhã) com alguns desenhos e programas do canal americano Nickelodeon. Dentre esses programas, as terças e quintas-feiras 9h30m da manhã (com reprise às 15h30m da tarde) passava o meu favorito: “The Ren & Stimpy Show”. O desenho era sobre um Chihuahua neurótico chamado Ren e seu amigo imbecil, um gato lerdo e burro chamado Stimpy. As piadas loucas, efeitos sonoros engraçadíssimos, situações surreais e humor um tanto escatológico me faziam rir o suficiente pra assistir toda semana.
Mas deixe-me dizer quem não gostava de “Ren & Stimpy”: a Nickelodeon! Os executivos da emissora não gostavam nem um pouco do mínimo controle que tinham sobre a Spümco, o estúdio do criador e gênio John Kricfalusi (mais conhecido como John K.). A premissa original do estúdio era devolver a criação de desenhos animados aos próprios animadores (algo que não acontecia desde os anos 60). Veja só, crianças, os desenhos antigamente eram feitos através de storyboards, que contam a estória como se fosse uma revista em quadrinhos. Com o advento Hanna Barbera e com o fim da animação para cinema, roteiristas foram trazidos para os desenhos e a partir daí começou a era negra da animação. Era que culminou com “desenhos de ação” roteirizados que populavam as telinhas nos anos 80. Vocês sabem bem dos que eu estou falando... A maioria desses desenhos vocês adoram! Daí veio John K. e sua idéia de devolver os desenhos às suas raízes. “Ren & Stimpy” trazia à animação tudo o que ela tinha perdido nos últimos 30 anos, com uma visão moderna e crítica, mas ainda assim boba e inocente. R&S fez um sucesso estrondoso quando estreou na TV. Mas a Nick não gostava nada das piadas e situações constrangedoras do desenho e despediu o próprio criador e seu estúdio da produção de R&S. Triste, não? Ainda mais pensando que vários desenhos feitos pela Nickelodeon hoje se baseiam ou são uma imitação descarada do estilo “Ren & Stimpy” (cof, cof... Bob Esponja... cof, cof!)
Pois bem, muitas feridas se fecham com o tempo e a Viacom devolveu os direitos para John K. e deu carta branca criativa para que ele fizesse o que quisesse com o nosso casal de cão e gato preferidos. Agora chamado “Ren & Stimpy’s Adult Party Cartoon”, o desenho voltou em uma emissora americana destinada ao público adulto e abusa de piadas de sexo e drogas do jeito que a Nick nunca deixaria. Não só isso, mas agora R&S tem um certo gosto de desenhos da contra-cultura dos anos 60, tipo “Fritz the Cat” e outros clássicos de Robert Crumb e Ralph Bakshi...(ah, esquece, vai!).
Essa semana agora é a última que o Multishow vai passar esses novos episódios em horário nobre: Terça-feira às 22h15m. O episódio se chama “Subindo na Vida” e é uma homenagem de John K. aos fãs que sempre pediram um episódio só com piadas nojentas. Quem tiver um tempinho, dá uma conferida. Embora o canal não tenha passado todos os novos, já está bom demais para um órfão de R&S como eu. ....JOY!
Dia 29 saiu no site oficial a primeira imagem publicitária de “Star Wars Episodio III: Vingança dos Sith” (que aqui provavelmente se chamará “Revanche de Sith”. Quer apostar?). Um teaser incomum... Que com certeza era mais bonito na teoria do que na prática. Culpa do imbecil que pintou a capa de maneira tão irreal e plástica. Paciência, né? A Lucasfilm Ltd. não tem mais controle de qualidade não? Mas eu gostei do pôster, achei bem legal. A execução é que ficou um pouco a desejar. Tem gente que já está vendo várias imagens escondidas nas dobras da capa do pôster e pra falar a verdade, se você olhar demais pra esse negócio você realmente começa a ver coisas... Ontem eu vi o descaso de George Lucas pelos fãs. Hoje de manhã eu o vi contando os milhões de dólares que esse filme vai lhe render. E ainda agora percebi que em uma das dobras dá pra ver o Lucas relançando a Trilogia Sagrada cheia de partes alteradas de novo! (*suspiro*).
Vou colocar aqui no blog a versão “melhorada” que um fã fez e colocou na Internet. A capa está bem mais orgânica e com a imagem mais sutil. Se você quiser ver o original, clique aqui.

E fiquem ligados porque no dia 8 de Novembro o site oficial vai colocar no ar o primeiro trailer... Ah, a emoção do lançamento de um novo “Guerra nas Estrelas” volta a esse velho coração... Apesar de tudo, ainda gosto dessa série!
Escrito por Augusto às 12h01
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QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (volume2)
“And when I arrive at my destination... I’m gonna KILL BILL!”

– é tudo que os créditos indicam enquanto sentava eu a poucos metros da tela na imensidão do cinema Odeon (superlotado, com gente no chão) com o gigantesco semblante de Uma Thurman olhando ameaçadoramente na direção dos espectadores! Tá legal! Eu admito que essa não foi a primeira vez que vi o “Volume 2”... Mas foi como se fosse! O DVD americano na minha tela de 21 polegadas não é nada se comparado ao ataque da mulher de 50 pés! Lá estava eu sentado, com um olhar meio de déja vu, mas mesmo assim, com os pelinhos do braço todos arrepiados quando a platéia se irrompeu em aplausos (e não foram aplausos só durante o começo... Eles foram constantes durante a sessão!). O filme nos coloca de volta na estória. Entramos direto no “capítulo 6”. Finalmente iríamos presenciar o clímax da ópera sangrenta de Quentin Tarantino e eu nem lembrei de levar o lenço de papel!
“There are consequences for breaking the heart of a murdering bastard.”
Se o “Volume 1” é o jantar fino, “Volume 2” é a conta que vem com aquele chocolatinho de brinde no final. Há uma certa lentidão dada ao filme. Ele se torna mais íntimo e emocional para A Noiva e mais angustiante e claro para nós.
No “Vol. 1” Tarantino faz suas homenagens aos diversos filmes de artes marciais feitos em estúdios orientais lá pela década de 70. Muita porrada, derramamento de sangue e situações absurdas... Já no “Vol. 2”, Tarantino decide abordar o faroeste e seu tema recorrente de vingança e intimidade para fazer A Noiva perder a cabeça. As referências aos “westerns”, principalmente nos rodados no Cinecittá por Sergio Leone, são o ponto forte aqui nesse Tomo. É claro que esses estilos não estão presentes exclusivamente em cada Volume respectivo. Há elementos aqui e ali em ambas as partes. Mas o “Volume 2” excede nas referências aos clássicos de Sergio Leone. As tomadas longas, os close-ups na cara dos personagens contrastando com as tomadas abertas de paisagens desérticas. O estilo Leone corre solto por aqui. Não tão bem trabalhado como Leone faria, mas uma bela homenagem mesmo assim.
O único ponto fraco? A trilha sonora original composta por Robert Rodriguez (que também é diretor, editor, compositor, músico, desenhista, cozinheiro, dublê e um dos amigos mais antigos de QT). De vez em quando ela parece imprópria e deixa cenas com aquele ar bonitinho de Hollywood. A música dá impacto emocional? Sim. Mas contrasta demais com as músicas que o Taranta recolhe de velhos faroestes e filmes B. Ainda bem que essas composições originais são raras durante o filme.
Do contrário, todo o resto está lá! Os diálogos são fluidos pra cacete! Bem estilo Tarantino. Daquele tipo que você não consegue imaginar outra coisa saindo como resposta da boca do personagem... Incrível! Cenas em flashback que parecem que foram rodadas em outra década! Seqüências cheias de tensão e clima. Piadinhas ridículas. Tarantino volta muito bem! Mas quem espera outro banho de sangue como na primeira parte, vai se decepcionar. As coisas agora são mais intimistas. Como eu já disse, se o “Volume 1” é o começo de um namoro, o “Volume 2” é a separação.
“Lay down, sweetheart, mommy shot you!”
Tive o privilégio de recentemente assistir os dois Volumes no cinema em seqüência. (O Armazém Digital lá em Botafogo passou o “Vol. 1” durante um tempo limitado depois do dia de estréia do 2º). Realmente não esperava que “Kill Bill” fosse me conquistar assim de... Corpo e alma (não queria ter dito isso... Que cafona!). Vendo os dois filmes seguidos me fez agradecer à Miramax por cortar o filme em dois! Imaginem se o Tarantino tivesse que retirar cenas para encurtar o tempo de duração? “Kill Bill” tem 250 minutos e está muito bem assim! Tô querendo até mais! Mas o que interessa aqui na minha discussão é dizer que “KB” é provavelmente a obra pela qual QT vai ser mais reconhecido através dos anos. O filme é isso: clássico. Esse filme vai morar sempre no meu coração. Tá bom, mas meu entusiasmo também se deve ao meu fetiche por filmes que homenageiam outros filmes cujo estilo e conhecimento já saíram de popularidade (vide “Guerra nas Estrelas” e “Caçadores da Arca Perdida”).
“I’m impervious to bullets, mommy!”
E então lá vai a pergunta de 64 mil dólares: Haverá um “Volume 3”? QT disse que se ele estiver disposto e todo o elenco (os que não foram mortos nos filmes, é claro!) estiver querendo fazer... Daqui a 15 anos veremos algo como “Kill Bride”, onde A Noiva, agora em uma cadeira de rodas (o porquê eu não sei!), vai enfrentar a vingança de Nikki, a filha órfã de Vernita Green (a #2 da lista) que será treinada por Sofie Fatale (ou pela ceguinha Elle Driver – Tarantino ainda não se decidiu). Mas não se desesperem! B.B. estará lá para ajudá-la com a Hattori Hanzo de mamãe!
Além disso, Tarantino também mencionou que poderia fazer uma série animada contando algumas estórias do grupo Deadly Vipers Assassination Squad. E talvez também quadrinhos com essas estórias.
Há uma versão completa, com os dois volumes juntos que já está rodando o mundo em edição limitada! Será que chega por aqui no próximo Festival do Rio? Enquanto isso, temos que nos conformar com a fedorenta versão Fullscreen (ou melhor: FOOLscreen) do “Vol. 1” aqui nas locadoras. Mais sobre isso em outro post qualquer.
Agora com licença que eu estou indo pro cinema mais próximo pra aproveitar e ver “Vol. 2” mais uma vez na tela grande (coisa que eu não vou poder fazer muitas vezes na minha vida). E por enquanto...
A LEOA ESTÁ REUNIDA COM SEU FILHOTE
E ESTÁ TUDO BEM NA SELVA.
Escrito por Augusto às 20h29
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QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (volume1)
“I’ve always told you… Your sweet side is your best side…”
E foi na semana passada que estreou o 2º ato do épico de vingança de Quentin Tarantino em circuito nacional, um dia após o término do Festival do Rio 2004, onde todas as sessões desse mesmo filme esgotaram. Muitos críticos e colunistas já se exauriram de falar suas opiniões sobre o filme. Há resenhas e críticas em tudo quanto é lugar. Como dono desse blog, não irei desperdiçar meu tempo (e mais importante ainda: o tempo de vocês) dizendo as mesmas coisas que eles já disseram.
Ao invés de falar só sobre o filme e ficar tentando explicar o motivo pelo qual eu puxo tanto o saco dele, resolvi fazer só a 2ª alternativa nessa primeira parte. Ah, resolvi também dar uma de Taranta e dividir essa tosqueira em 2, porque o UOL não me deixa divagar muito nesses posts (Deus amaldiçoe o “limite de caracteres!”). No próximo (que eu coloco no ar em 1 semana) eu falo melhor sobre o que está nos cinemas. Lá vai minha reflexão:
“I have to give it to ya, Budd... That’s a pretty fucked up way to die!”
Eu não fiquei muito aficionado quando li lá pelo meio/final de 2002 a reação de Harry Knowles, editor do ótimo site aintitcoolnews.com, ao primeiro rascunho do roteiro escrito por Tarantino do filme que se chamaria “Kill Bill”. O editor ficou chocado quando recebeu em seu colo o chumaço de 222 páginas de roteiro que o próprio diretor lhe dera, uma cópia xerox do que havia sido escrito à mão. Eu gostava muito dos filmes de Quentin (embora não fosse tão fanático), mas esse, além do título ridículo e com todas as suas referências ao cinema oriental e aos faroestes me fazia questionar se era esse o gênero no qual o diretor realmente poderia dar tudo de si. Pensei que não gostaria por causa do meu pouco conhecimento sobre esses dois “gêneros” de filmes e logo não dei muito a mínima para o chamado “4º filme de QT”.
Daquela época para cá, meu próprio interesse de estar sempre me atualizando para tentar expandir meus conhecimentos cinematográficos me fez ficar mais apegado à obra empapada de referências ao cinema e à cultura pop que Tarantino pintava nas telas desde o começo dos anos 90. Tive a oportunidade de ler o roteiro de “Kill Bill” na Internet e fiquei interessado o suficiente para buscar a gênese das alusões que Tarantino fazia. E foi quando o 1º trailer que dizia “In the year 2003, Uma Thurman... will... Kill Bill!” (na época a Miramax ainda não tinha cortado o filme em 2) apareceu on-line que eu vi que esse projeto merecia mais atenção do que estava recebendo de qualquer um na época.
“And what, pray tell, is the Five Point Palm Exploding Heart Technique?”
Tarantino sofreu tentando colocar sua visão nas telas. Inúmeros atrasos e problemas com o estúdio o fizeram aceitar a idéia de dividir o filme em 2, para que não tivesse de cortar nenhuma cena para deixar o filme mais curto. O “Volume 1” estreou nos EUA e acabei ficando ainda mais curioso com tanta crítica positiva e bom-recebimento por parte do público. É claro que não foi sucesso de bilheteria, mas para um filme autoral, com estilo próprio e cheio de referências obscuras como este, ficou até muito bem conhecido popularmente.
Então o “Volume 1” estreou por aqui. Meses depois de sua estréia estadunidense. Fiz uma tremenda campanha aqui nesse blog. Enchi o saco de quem eu conhecia para dar uma olhada nessa metade de obra-prima. Muita gente gostou do “Vol.1”. Muito mais gente do que eu poderia imaginar. Alguns não sabiam nem quem era Tarantino, ou quais as referências que ele colocava na tela, mais saía satisfeito da sala de cinema, embasbacado com o que viu e morrendo de vontade de ver o “Vol.2”.
E agora, meses depois do “Vol.2” ter estreado nos EUA, ele chega por aqui. Infelizmente com uma recepção morna da crítica e do grande público, que cansaram de esperar e agora já não querem mais saber do resto da estória. Não me leve a mal, o filme recebeu críticas muito boas e está levando gente aos cinemas. Mas se a Lumiére não tivesse demorado tanto para libertar esse filme por aqui logo depois da primeira parte, a crítica estaria muito mais entusiasmada e o público não teria baixado versões piratas de péssima qualidade.
Só para fechar com essa idéia, um crítico n’ O Globo foi certíssimo ao dizer para quem já havia visto este filme através de cópias ilícitas para ir conferir mesmo assim no cinema. Concordo! Não há comparação entre a experiência de som e imagem de uma cópia pirata e a de uma tela enorme de cinema. É como lamber gelo da parede do refrigerador e dizer que acabou de provar sorvete de creme e sabe o gosto que tem. Eu já deletei há algum tempo minha versão pirata no computador simplesmente porque eu não consigo ver o filme dessa maneira “aleijada”.
No próximo post: minha opinião sobre o “Volume 2”.
Escrito por Augusto às 16h04
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QUIZ VOLUME UM
Aqui vai um QUIZ pra todo mundo saber como eu vou me saindo trabalhando no Festival do Rio 2004. Respostas seguem no final:
1) O que eu mais gosto de fazer no meu trabalho no Festival do Rio 2004 é:
a) Atender ao telefone e passar ligações
b) Explicar alguma coisa para os clientes
c) Vender a programação
d) Jantar
2) O que eu preferia estar fazendo ao invés de trabalhar é:
a) Ver algum filme no Festival
b) Dormir
c) Estar em casa, vendo minha Trilogia Sagrada em DVD
d) Lá mesmo
3) Pergunta mais estúpida que me fizeram:
a) “Esse prédio aqui é pra quê?”
b) “Festival? Festival de quê?”
c) “Este filme está no festival de Veneza! Como não está aqui?”
d) Todas as anteriores
Continua aí embaixo....
Escrito por Augusto às 19h58
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QUIZ VOLUME DOIS
continuado....
4) Primeira coisa que se esgotou no Festival:
a) Ingressos para o filme “Má Educação”
b) O presunto do lanche
c) O jornalzinho com a programação
d) Minha paciência
5) O que eu mais gostei sobre esse Festival foi:
a) “Kill Bill Vol.2”
b) Conhecer as pessoas legais com as quais eu trabalho
c) Aprender Yoga (se é que vocês me entendem)
d) Todas as anteriores

E no próximo post....
"Looked dead, didn't I? Well, I wasn't! But It wasn't for lack of trying, I can tell you that! Actually Bill's last bullet put me in a coma... A coma I was to lie in for 4 years... And when I woke up... I went on what the movie advertisements refer to as "a roaring rampage of revenge"... Well, I roared. And I rampaged. And I got bloody satisfaction! I've killed one hell of a lot of people to get to this point... But now I've only one more... The last one... The one I'm driving to right now... The only one left... And when I arrive at my destination... I am gonna KILL BILL!"
-- The Bride
Escrito por Augusto às 19h57
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