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   THE GOOD LIFE, pt. 5

Sábado, dia 24 de setembro, aproximadamente 15hs. Four Points Sheraton Hotel, Curitiba. Duas palavras rodavam na minha cabeça: “Low” e “Profile”… Rodolfo e eu sentávamos na amurada no mezanino do hotel. À nossa esquerda, salas de convenção, à nossa direita, o restaurante de onde tinham acabado de sair ninguém menos que Brian e Scott, guitarrista e baixista da banda que era responsável pela nossa presença ali. A única observação de Rodolfo era: “Mariana tinha razão! Brian é meio bicha!”. Segurei a gargalhada! Tinha razão! De repente desce o Paulo (“Boladão” Monte) pelo mesmo elevador que os integrantes da banda subiram. Em suas mãos, dois crachás de Membros da Imprensa, a nossa garantia de andar por lugares exclusivos no Curitiba Rock Festival.

Paulo conversava com a gente sobre como foram os eventos da tarde, dos quais a banda participou. A coletiva foi legal, a passagem de som um sucesso. Paulo atirou elogios sobre o comportamento da banda. Disse que os caras dão um show de simpatia e humildade comparando com outras celebridades que aparecem por aqui (cof... linkin...cof...park). Também conversamos sobre o que esperar do local do Festival, onde poderíamos circular e como era a infra-estrutura de lá. Não faltou perguntas sobre o merchandising. Sinceramente, tinha levado uma grana preta para torrar em diversas camisas oficiais da banda. Para nossa decepção, o cara responsável pela venda de tralhas simplesmente não veio ao Brasil! Achou que o povo devia ser muito miserável, ou sei lá o quê! Acho que vou ter que gastar essa grana com mais DVDs e bonequinhos de “Guerra nas Estrelas”!

A porta do elevador faz barulho e lá de dentro emerge Brian de novo, voltando ao restaurante e tentando fingir que não percebeu os dois malucos sentados ali. Paulo sai para resolver os pormenores das entrevistas que eles iriam gravar na sala de convenções. Marcadas, estavam uma exclusiva com a MTV Brasil e uma com o Fantástico (aquele mesmo, terror das noites de domingo).

Era só questão de tempo para que o resto da banda aparecesse por ali. Pois bem, eles não apareceram. Rodolfo e eu nos concentrávamos com o exercício do “low profile”. Enquanto sentávamos durante muito tempo ali, começamos a tomar melhor conhecimento do que acontecia no hotel. Parece que nós realmente éramos os únicos fãs. As tais garotas que sentavam na janela ali perto eram repórteres de alguma coisa e já estavam de saída. De vez em quando o Paulo vinha nos checar... Talvez para ver se ainda estávamos interessados em ficar ali de bobeira e não ver nada. Talvez para checar se o “profile” ainda estava “low” e ainda não tínhamos surtado.

Rodolfo tem a idéia de tentar arrumar uma caneta, caso aconteça um contato imediato e possamos conseguir autógrafos. Descemos para o balcão e pedimos para o atendente uma caneta emprestada. "Leva, é sua!", como todo bom curitibano germófobo. Voltamos para o mesmo lugar.

De repente, Brian aparece de novo... Rodolfo e eu conversávamos. Brian passou para o restaurante, não viu ninguém. Tentei fazer contato visual. Se ele me vê, faço um “hello” e vejo se ele puxa um papo. Nada! Ele passa de um lado pro outro, quase pisando em nossos pés. Em um corredor de dois metros de largura e com ele passando tão rente assim só parecia querer dizer que ele tentava chamar atenção! De repente ficou interessado em algo lá embaixo. Ele desce. Rodolfo surta! Trama várias explicações na cabeça dele. Diz que com certeza o Brian deu em cima da gente. Depois de ler notícias sobre o show em casa, talvez entenda o porquê da psicose do Brian naquele dia.

Karl Koch (mais sobre ele em breve) escreveu no site oficial que o weezer tinha ficado chocado com a presença das centenas de fãs da Avril Lavigne que abarrotavam o mesmo hotel na noite anterior. A falta de gente no dia “deles” provavelmente deixou o weezer com uma pulga atrás da orelha... Ora, é a primeira vez que os caras vêm para o Brasil. Eles não sabem que tipo de público vão encontrar... Provavelmente, antes de marcarem o show, eles nem deviam saber que tinham fãs em um lugar tão “longe”. Agora, no dia do show eles não encontram ninguém fazendo festa para eles no hotel. Ninguém exceto dois caras com pinta de “stalker”.

A gente conversa um pouco mais quando Rodolfo avista, no saguão, Brian sainda pelos portões do hotel afora e indo caminhar na rua: “É a nossa chance, moleque! Aqui dentro a gente não pode dar mole pra não sujar a imagem do Paulo, mas lá fora a gente pode falar com ele, porra!!!”. Aquilo fez sentido!

O “low profile” deve ter caído lá embaixo no saguão do hotel. E nós não tínhamos interesse em pegar de novo. Fomos para a rua, seguindo a estranha figura rebolante, de cabelos bem cuidados, jaqueta de couro e pinta de rock star.

Pensei comigo mesmo: se começássemos a seguir o cara, ele ficaria assustado. Afinal, poderia reconhecer a gente do hotel e achar que éramos “mais do que fãs”, se é que vocês me entendem. Ele ia achar que somos psicóticos! Paro e explico a idéia por Rodolfo: “Ele saiu, e vai ter que voltar! A gente espera na porta”. Rodolfo concorda. Esperamos em frente a casa que ficava ao lado do hotel... Não deixando o Luis (o nosso motorista), que estava na portaria, nos ver por ali. Aliás, que contraste! Uma casinha do estilo dessas de Santa Teresa, quase colonial, ao lado desse hotel moderno gigante. Curitiba é cheia dessas coisas!

Seguíamos com os olhos a figura de gringo do Brian no meio das ruas... Ninguém parava pra falar com ele! Até mesmo as pessoas que tinham cara de estar na cidade só para ver o show da noite passavam do lado e nem ligavam. Brian devia estar cada vez mais descrente de uma boa recepção do público brasileiro. Todos eles deviam estar achando que iam fazer um show para umas 30 pessoas. Dentro de algumas horas, nós provaríamos o contrário.

Continua amanhã...



 Escrito por Augusto às 20h57
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   THE GOOD LIFE, pt. 4

A parte “turismo” da viagem começa oficialmente aqui, com o Rodolfo batendo fotos de tudo que se podia encontrar por lá e que não tem aqui. Os ônibus e os táxis cor de laranja foram as primeiras fotos de Rodolfo. Aliás, interessante o sistema de ônibus da cidade. Pra quem não sabe, eles são todos sanfonados e medem quase o triplo dos que nós temos aqui no Rio. A construção da cidade (sem curvas muito fechadas nas principais vias) ajuda a manter o transporte assim. Os pontos são uma espécie de tubo onde você paga sua passagem para entrar dentro da estrutura e espera o ônibus lá dentro. Aliás, um outro detalhe sobre a cidade (que o Rodolfo ajudou a lembrar) é que ela parece fantasma no sábado de tarde. Não há absolutamente uma alma nas ruas. O que os curitibanos fazem é um mistério!

Ao chegarmos à Avenida Sete de Setembro, não perdemos a calma. Era bem extensa. Faz lembrar a nossa Avenida Rio Branco, mas um pouco mais larga e um pouco mais “calorosa”, se é que vocês me entendem. Como acharíamos o hotel? Meu palpite foi o seguinte: olhamos para os dois lados e procuramos a fachada que mais se assemelhasse à de um hotel... Vocês sabem: muita pompa e luxo. À nossa direita, mais ou menos a uns 500 metros, um prédio alto, com um domo estranho no telhado era o que mais se parecia com coisa de turista. Começamos a andar.

Como eu já havia mencionado, Curitiba tem aquele ar de cidade do interior. Ela é grande por fora, mas, em uma de suas principais avenidas, ainda há muitas dessas lojinhas que são passadas de geração em geração, onde o dono dorme atrás da casa/loja. As que não eram nesse estilo, ficavam embaixo de prédios comerciais e estavam quase todas fechadas. Uma dificuldade foi encontrar um simples jornaleiro. Eles não são como os que temos no Rio. Depois de andar uns 200 metros, encontramos duas vendinhas, uma vendia “prato-feito”, a outra era o que se poderia chamar de jornaleiro. Rodolfo teve a idéia de comprar o jornal local para ver se tinha alguma coisa sobre o show. Como ele não tinha trocado, eu paguei (CONTAGEM DE GASTOS: R$1,50).

Uma coisa que eu não sabia era que Curitiba tem uma parte de sua população composta por imigrantes japoneses e, ao nos aproximarmos da embaixada, nos deparamos com o belíssimo jardim japonês: uma área de uns 100m² coberta de pequenos rios, pontes e casinhas japonesas. Se estivesse nevando, juro que pensaria estar no jardim da Casa das Folhas Azuis (Referência! Referência!). Os únicos andando pelo local eram os expositores de algumas tendas de Yakisoba, músicos japoneses e... Outros turistas!

Aconteceu que o tal prédio que parecia hotel era só mais um prédio comercial, mas continuamos a andar até encontrar algum. Achamos e Rodolfo foi até a portaria para perguntar se ali era da rede Atlantic (o hotel da banda era um primo de luxo do nosso, da mesma rede). O cara do hotel prestativamente nos indicou a direção do Four Points Sheraton: “Depois de dois tubos!”. E lá fomos nós, andar quase um quilômetro na esperança de dar uma espiada em ídolos.

O Four Points Sheraton tem uma fachada muito simples. Discreta até. Entramos portas de vidro adentro e, para nossa surpresa, encontramos... NINGUÉM! O saguão vazio. Algumas pessoas no bar à esquerda. Ao fundo, o balcão escondia alguns empregados. E, logo acima deste, no segundo andar (também um mezanino) uma grande janela de vidro onde estavam sentadas uma meia dúzia de garotas. Seriam fãs? Entrávamos no hotel disfarçadamente. Aprenderíamos depois com o amigo Leo Finocchi que você tem que agir como se fosse dono do estabelecimento. Sentamos em umas mesas no saguão e dividimos o jornal. Nele, tinha uma breve matéria sobre a banda, com entrevista com Brian Bell e um pouco mais de informações sobre o Rock Festival. Depois de estar cansado de ler sobre o show da Avril Lavigne do dia anterior, Rodolfo e eu decidimos subir.

Rodolfo subiu as escadas na frente, eu fui logo depois.  Quando chegamos ao segundo andar, já estávamos dentro do restaurante do hotel. As mesas todas vazias. Aconteceu tudo em menos de 10 segundos... Em um momento de distração, não vi quem se aproximou e já tinha começado a falar com o Rodolfo: Paulo “Boladão” Monte parecia um pouco preocupado, ele falava baixinho. Quando me aproximei ouvi o seguinte papo: “... os caras tão ali na mesa, terminando de almoçar, eles vão dar uma entrevista agora pra TV. Se vocês quiserem ficar por aqui, não tem problema nenhum, mas vamos manter o low profile”. Nos cagamos. Ao mesmo tempo, subi com o zíper do casaco até o pescoço para tampar a camisa do weezer e manter o “low profile”. Paulo falou que ia até seu quarto para pegar nossas credenciais para o show. Arrumamos um lugar entre o restaurante e a janela da qual se podia ver do lobby. Imaginem que o restaurante saía para uma espécie de corredor, onde se encontravam os elevadores e que continuava para uma porta de vidro, que abria para um espaço grande, com salas de conferência e com essa janela onde as garotas estavam. Podíamos ver a mesa, bem afastada, onde a banda estava. Não estavam todos lá, mas víamos pela primeira vez algumas pessoas que iriam marcar presença até o fim da viagem: o carequinha empresário da turnê e o segurança, um negro americano de três metros de altura por três de diâmetro. Com todo respeito, claro!

Esperamos um pouco ali, tentando fazer o que o Paulo nos disse. De repente, em toda sua glória rebolante, Brian Bell, o guitarrista do weezer, passa diante de nossos narizes. Logo em seguida, Scott Shriner faz a mesma coisa e também pega o elevador para subir...  Pasmamos. Era surreal! Estivemos mais próximos do weezer que jamais sonharíamos estar em nossas vidas, e em alguns instantes, as coisas ficariam ainda melhores.

Continua daqui a pouco...



 Escrito por Augusto às 21h28
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   THE GOOD LIFE, pt. 3

*Não esqueçam de ler os capítulos anteriores aí embaixo. Visitem também o álbum de fotos, mas cuidado para não estragarem algumas surpresas da história!


Lá fora fazia frio, mas nada menos que 18º. A van branca estava estacionada na frente do portão do aeroporto. Paulo “Boladão” Monte e Luis, “o Fanfarrão”, mostraram ser muitíssimo mais simpáticos do que aparentaram ser da primeira vez. Paulo veio conversando conosco sobre a nossa estadia. O que gostaríamos de fazer antes da hora de ir para o Curitiba Rock Festival. Sabendo do que rolaria de tarde, perguntamos se nós não poderíamos assistir à passagem de som da banda e à coletiva de imprensa, já que, em alguns instantes, ganharíamos passe de imprensa para ficarmos livres durante o show. Aliás, é bom dizer que nós éramos os únicos fãs dentre os 12 que tinham acesso ao camarim que estavam sob a tutela da própria gravadora. E estávamos tentando conseguir coisinhas extras com isso.

Paulo “Boladão” Monte não prometeu arrumar passagem para ver o ensaio, mas falou que ia tentar nos deixar entrar na coletiva. Ele nos ligaria quando estivéssemos no hotel. Luis foi muito simpático também, e falou bastante sobre a cidade e como poderíamos aproveitar ao máximo nossa estadia de “quase” dois dias por lá. Depois do bate-papo, chegamos ao Quality Suites Hotel, no bairro nobre de Batel, Curitiba. Paulo entrou conosco e nos deixou cuidar da burocracia no balcão. Disse que ligaria mais tarde e foi para o hotel dele (o mesmo da banda!) junto com o Luis. Fomos atendidos por uma simpaticíssima Vanessa (Valeu pela lembrança, Rodolfo!), a qual nós pensamos que estava dando mole pra gente antes de percebermos que os curitibanos são simpáticos e carinhosos assim mesmo! Depois de uma discussão sobre o que estávamos fazendo lá para podermos preencher o papel da estadia (“Turismo”, “negócios” ou “outros”? Que dilema babaca!) tiramos algumas dúvidas sobre a nossa hospedagem “tudo pago”... Seria R$80 para os dois gastarem com comida durante o fim de semana e no dia seguinte, não precisávamos fazer o check-out normal (até 12hs), teríamos a mordomia de poder sair até as 16hs o que daria um precioso tempo para dormir até tarde. No fim do check-in, o nosso primeiro brinde: a caneta do hotel! Parece que toda vez que a gente usava uma caneta em Curitiba, a gente podia ficar com ela... Ou os curitibanos são muito generosos ou eles têm um sério problema de germofobia!

O hotel tinha um ar de luxo simples, digamos assim. O saguão não era tão grande, mas espaçoso o suficiente para nunca estar lotado. Ao chegar, Rodolfo reconheceu algumas caras de pessoas de bandas nacionais que estavam indo tocar no festival. O segundo andar tinha um mezanino onde se podia ver o saguão e onde se localizava algumas salas para convenções (na hora estavam arrumando um deles para um leilão de jóias). Subimos para o quarto e logo de cara adoramos a mordomia que estava diante de nossos olhos. Frigobar, TV a cabo, escrivaninha, armário grande, banheiro amplo e camas separadas! Rodolfo e eu nos olhamos aliviados: se fosse cama de casal o coitado já ia ter que se acostumar com a idéia de dormir no armário! Usamos uns 15 minutos para respirar, ligar pra casa e descemos para o almoço.

“Vamos detonar esse restaurante!”, pensei, achando que a comida seria barata o suficiente para que, com os 80 contos de cortesia que tínhamos, pudéssemos até levar o que sobraria para casa no final da viagem. Não foi bem assim, já que a primeira refeição que fizemos custou exatamente R$64... Eita! Antes disso tudo, ficamos no dilema do que sairia mais barato... O buffet ou o “a la carte”. A maître Raquel, atenciosa e paciente, nos explicou os prós e contras de cada um e decidimos ir com o buffet (cada prato no cardápio era quase 20 mangos). Claramente o hotel não estava preparado para o fluxo grande de pessoas. As tigelas do buffet eram pequenas demais e bastavam umas cinco pessoas se levantarem para encherem seus pratos que tudo acabava. Comi dois pratos para matar a fome. A barriga já estava roncando desde que me deram aquelas barras de cereais no avião. Rodolfo também não fez feio e pegou tanto macarrão que a mulher que estava atrás dele na fila do buffet teve que esperar uns 15 minutos até que trouxessem mais! Não tínhamos percebido o frio que fazia até uma porta do restaurante (que levava a uma varanda) se abrir e deixar entrar aquele ventinho cortante...

Depois de assinar a comanda (e ficar decepcionado por só ter mais R$16 para gastar com comida) decidimos ir conhecer o resto do hotel. Visitamos o segundo andar e subimos direto para a cobertura. O hotel é realmente super-equipado, mas o que parece é que ninguém nunca usa nada do que ele disponibiliza. Tudo tem ar de novo, que nunca ninguém usou. Tiramos umas fotos da varanda e ficamos observando pasmos a piscina. Quem iria entrar ali com o frio que fazia? O negócio era uma máquina de pneumonia... Dá um mergulho, saia da água e pegue a doença de brinde! A água estava geladinha. Depois perguntamos para um funcionário que passou se eles não tinham um sistema de aquecimento. “Está ligado!”, disse, “mas com esse frio a água fica gelada rapidinho!”. Ah, as maravilhas da tecnologia moderna!

Voltamos para o quarto, esperando ansiosos a ligação do Paulo. Se ele não ligasse até as 15hs iríamos ligar e cobrar, afinal, a mordomia já estava nos deixando mimados. Ficamos vendo um pouco de TV e quando o relógio chegou com o ponteirinho no 3, mandei uma mensagem para saber das novidades do Paulo. Resposta: “Não consegui. Depois te ligo”. DROGA! O que faríamos agora? A oportunidade para conhecer a banda antes do show tinha ido pro lixo. Bem, façamos o que resta para fazer: City Tour a pé! Não saímos pensando em ir muito longe. Só andar umas quadras para saber “qual é a da cidade”.

Bela cidade Curitiba é! Impressionante como, além de serem extremamente simpáticos, o povo é educado pra caramba. Sinceramente (e isso eu já tinha notado quando vinha para o hotel de van) é a cidade mais limpa que já vi! Não há nenhuma sujeirinha na rua! As folhas das árvores quando caem devem se acertar direto na lata do lixo! Não é possível! Também não há nenhuma pichação, vandalismo ou desrespeito ao bem público. Tudo tem o ar de uma cidade pequena, mas em grande escala (se é que isso faz algum sentido). Prédios e casinhas charmosos e calorosos nos cumprimentavam rua afora. Se algum dia eu arrumar dinheiro o suficiente para me mudar, Curitiba é grande indicada para minha nova cidade! Andamos uma quadra, duas quadras... Ao chegar na terceira, vimos um ponto de ônibus com um mapa. Rodolfo olhou e logo veio falar, com um brilho nos olhos, que o hotel da banda ficava na próxima avenida, a gigante Sete de Setembro. Nos olhamos e, com toda ansiedade de fãs que querem conhecer seus ídolos a decisão foi unânime: “Partiu!”. Faltavam aproximadamente 11hs para o show...

Continua daqui a pouco...



 Escrito por Augusto às 16h37
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   THE GOOD LIFE, pt. 2

Chegamos ao aeroporto do Galeão por volta das 8h20m e fomos direto para o embarque doméstico. A caixinha de metal que ganhei da Rádio Cidade (na qual eu transportava meus CDs da banda) gerou um pouco de desconfiança da polícia no aeroporto, mas eles não pediram para olhar o que tinha dentro dela (belo trabalho! Poderia estar carregando coisas muito piores ali dentro!). Esperamos o portão de embarque ser liberado, o que, se você viaja de Gol, é muito tempo mesmo! Enquanto isso ficávamos tentando imaginar quem estaria embarcando para Curitiba só para ver weezer... “Aquelas velhinhas ali, com certeza!”; “Aquela garotinha ali de óculos tem cara de fã!”. Alguns minutos a mais... Mudança no portão de embarque... Nos levantamos para ir sentar perto do novo local.

O avião ainda estava sendo colocado no lugar e uma enorme fila já se formava na frente do portão. Eu poderia escrever mais uns quatro parágrafos sobre a paixão do brasileiro por filas, mas vou parar por aqui. Na nossa frente senta um sujeito bizarro, camisa preta, cabelo comprido, mochila no colo, jeans surrados... Evito contato visual com a criatura, mas já é tarde... Ele vem em nossa direção. “Vocês estão indo ver o show do weezer?”, pergunta. “É...”, respondo calmamente sem parecer que estou puxando papo. O cara se apresenta e foi até simpático... Falou sobre o show, sobre a expectativa, sobre a hospedagem dele em Curitiba... Mas eu fiquei espantado quando ele mandou a seguinte: “Será que eles vão tocar ‘Susanne’?” Como? O que parece é que a minha música favorita da banda também era a dele! Sinto-me mais nerd do que nunca! Rodolfo puxa um papo e todos se calam. A fila continuava paradona. O cara pergunta: “Vocês são universitários?”. Afirmamos, achando um pouco estranha a pergunta. Ele não era... Era “músico”. Rodolfo pergunta mais detalhes e ficamos sabendo que o cara não estuda, só toca música o dia inteiro... “Você é de alguma banda?”, perguntamos. “Não. Toco num cover do Ramones!”. Peraí! O cara toca baixo num cover dos Ramones? Até eu, que só toco campainha consigo fazer isso! Depois de descobrir que o camarada morava no Leblon, não restava mais dúvida! Apelidamos ele de “bon-vivant” e assim que a fila começou a andar nos levantamos o mais depressa possível para entrar no avião... Rezando para que o maluco não estivesse sentado no nosso lado!

No avião pudemos logo perceber uma característica marcante da cidade de Curitiba: todas as mulheres são lindas! Mas não no sentido testosterônico de querer dizer “gostosa”. No sentido de “é pra casar”... Apaixonantes! A comissária de sotaque carregado era uma perfeita Curitibana.

Na poltrona do lado direito da aeronave senta um famoso ator da TV Globo (não revelarei o nome aqui). Eu e Rodolfo achamos até que o cara foi gente boa. Fez postura de “Zé Ninguém”, mostrou ser só mais um pai de família, viajando com mulher e filhos (e babá, e empregados...), tentou não chamar atenção para si mesmo. Foi só a gente comentar a simpaticidade do camarada que, na escala em Campinas, o piloto anuncia que “os passageiros deverão permanecer sentados enquanto o ator não vou dizer! desembarca da aeronave. Dê a prioridade para ele e sua família”. Filho da mãe! É só elogiar que o cara faz uma cagada típica de estrelismo inchado! Nunca mais elogio ninguém até a tarde do mesmo dia!

Aliás, eu tinha uma idéia, ao entrar no vôo, pediria para a aeromoça e o piloto posarem para uma foto fazendo o símbolo do weezer*, mas depois de ver a cara de mau-humor do piloto, foi melhor ter deixado essa passar em branco.

A maior surpresa do vôo, pra mim, foi testemunhar o pavor que o Rodolfo tem de decolar e aterrissar. O rapaz não entrava em um avião havia cinco anos e tinha esquecido os baques, forças e empurrões causados em um vôo normal. Quando a nave começou a taxiar (manjou o uso da linguagem profissional pelo garoto aqui?), Rodolfo estava com as mãos molhadas e não parava de falar... Logo me confessou que quando falava sem parar, é porque o nervosismo estava em alta. Me preocupei quando ele conferiu se o saquinho de vômito estava disponível na cadeira da frente. A cada tremida e arranco, Rodolfo coloria o ar com seu vocabulário rico e bem-humorado!
Com o avião no ar, Rodolfo ficou mais tranqüilo... Só ficamos um pouco chocados com uma pérola emitida pelo piloto no meio de uma turbulência: “Senhoras e senhores, no momento estamos atravessando uma zona de alta instabilidade. Favor manter os cintos apertados”. Sinceramente, se alguém da Gol estiver lendo isso... NUNCA diga que a zona é de instabilidade. Alguns passageiros tiveram que trocar de calça depois disso. Mudem esse vocabulário, por favor!

Na escala em Campinas, um passageiro peculiar entra na nave. É um sujeito negro, cabelo bem raspado, camisa social de linho branca, jeans, pulseiras douradas e óculos escuros no topo da cabeça. Eu tenho poucos pré-conceitos, mas na mesma hora comentei com o Rodolfo: “Esse tem a maior pinta de pagodeiro rico!”. Não deu outra! Rodolfo, meio rindo meio disfarçando confirmou minhas suspeitas! Ele era pagodeiro! O cara era o perfeito estereótipo desses tipos que freqüentam Raul Gil no sábado pela tarde!

Depois de muito tempo enfurnados dentro do avião (sério, a parada na escala é mais longa que o tempo de vôo), finalmente aterrissamos em Curitiba lá pelas 13h30m, sendo que o vôo estava programado para ter chegado uns 45 minutos antes! Paulo Monte (representante da gravadora já citado no capítulo anterior) tinha nos avisado que estaria esperando por nós no aeroporto, então, corremos para a saída o mais rápido possível por três motivos em particular. Primeiro: estávamos atrasados para nos encontrar com o Paulo; segundo: fugíamos do “bon-vivant”! Já pensou se esse cara decide grudar na gente? Terceiro: faltava pouco, mas muito pouco para nós vermos O show...

Saímos do portão do desembarque e nos deparamos com a seguinte imagem: um camarada alto, de terno, com cara de curitibano, segurando um papel no qual vinha escrito “Universal Music” e ao seu lado um sujeito vestido de jeans e camiseta, de óculos, quase tão jovem quanto nós. “É pro pessoal da Rádio Cidade?”, perguntei. “Pode ser!”, o jovem respondeu com ar irônico. “Eu sou Augusto Castro, esse é o meu amigo Rodolfo”. “Prazer. Eu sou Paulo [“Boladão”] Monte. Esse é o Luis, ele é o motorista que vai estar a disposição de vocês. Suas malas já estão aí? Ótimo! Vamos pro carro.” Continua daqui a pouco...


* Aprendam o símbolo, macacada: vire as costas das mãos para o rosto, encolha o mindinho e o anelar; mantenha o indicador e o médio unidos; tente fazer um ângulo de 90º entre o polegar e os dois dedos maiores esticados em cada mão; junte as pontas dos polegares até formar, com as mãos, um "W”. Erga os braços e mostre seu amor pela música de Rivers Cuomo!



 Escrito por Augusto às 20h55
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   THE GOOD LIFE, pt. 1

Aviso: o próximo texto não tem a pretensão de ser uma resenha ou crônica do show da banda weezer ocorrido semana passada em Curitiba. Meu intuito foi fazer uma descrição a mais detalhada possível dos acontecimentos que vivenciei antes, durante e depois do histórico evento, para que possa olhar para esses detalhes no futuro e me encher de saudade. O que segue pode ser maçante e cansativo para alguns, mas quem tiver tempo e quiser saber os detalhes da minha jornada, vai se divertir.


Junho. Por volta de 1 da manhã o celular toca. Acordo. Do outro lado da linha, meu velho amigo Rodolfo nem cumprimenta: “Qual sua banda favorita?”. Eu gaguejo... Não entendi direito o porquê da pergunta... “Diz logo ‘WEEZER'!” ele responde por mim.  “err...weezer...”. “Dia 24 de setembro, Weezer vem fazer show no Brasil! WeezeR no Brasil, moleque!!!”. Acordo de novo... Não podia ser. Rodolfo devia ter visto errado. A banda mal sai dos EUA. Por que eles viriam logo para cá? Ele me explicou que seria em Curitiba... Pensei na passagem de avião. Valeria a pena. Não sabia o preço de nada, mas valeria a pena. Caio no sono de novo. Sonho com meu pouco dinheiro. Com a longa espera até setembro. Não rolaria... Tinha quase certeza de que não conseguiria economizar o bastante. A sorte trabalha misteriosamente.

 

Dia 2 de setembro, por volta das 20hs o celular toca. Uma voz desconhecida me cumprimenta, era o Hugo, da Rádio Cidade. Ele me pergunta se estaria disponível para viajar no dia 24 de setembro. “Claro”. Hugo começou a explicar como seria o grande prêmio da “Promoção Semana Weezer”, na qual um sortudo ganhador levaria de graça uma viagem com tudo pago para ver a banda em Curitiba. Eu realmente não entendi direito e pensei que ele estava ligando para todos os participantes, para confirmar disponibilidade. Ora, quem não pudesse ir, já estaria fora do sorteio, que aconteceria dia 4. Mas o que foi estranho é que ele começou a me passar detalhes da viagem. “Peraí”, disse eu, “eu...Ganhei?”. “O resultado vai ao ar domingo, mas eu decidi te ligar logo para que você me passe mais dados pessoais seus e de seu acompanhante”. O final eu não ouvi. Meu cérebro parou. Eu não sabia se gritava ou chorava ou o quê! “Você já tem quem levar?”. Olhei para a estante de CDs e vi os discos que o Rodolfo tinha me gravado há tanto tempo atrás, quando me apresentou o trabalho da banda... “Já!”, respondi.

Os dias que se passaram não foram tão cheios de ansiedade como muitos pensam... A idéia de ir ao show do Weezer e ainda mais conhecer a banda pessoalmente era algo que ainda não tinha sido digerido pelo meu sistema (pra falar a verdade, acho que ainda não está totalmente em mim). É claro que a cada notícia boa que eu recebia da gravadora, pela rádio, me fazia vibrar. A confirmação da visita aos bastidores foi particularmente memorável. Rodolfo, ainda desconfiado que a rádio poderia de alguma forma nos passar a perna, mantinha consigo seu ingresso e passagens que havia comprado na mesma noite em que ganhei a promoção. A cada dia, ligava para o pobre Hugo da rádio cidade, implorando por notícias da gravadora. A cada dia, o Hugo ficava me devendo e a cada dia o Rodolfo me ligava para cobrar mais informações. Isso até o dia 20. 

Nessa terça-feira, fomos intimados a comparecer à rádio cidade para assinar o termo de responsabilidade e pegar nossas passagens aéreas e a reserva do hotel. Finalmente as coisas estavam tomando forma para o grande dia. O sonho era palpável! Estava tudo em nossa mão. Rodolfo parecia finalmente acreditar e devolveu a passagem aérea que guardava, mas ainda tentava convencer a namorada de ir e se infiltrar em nosso hotel. Dona Mariana não gostou da idéia. Uso esse espaço para me desculpar pela falta de opções que demos a ela. Mariana, juro que vou participar de todas as promoções do Oasis, para, caso eu ganhe, te levar pro camarim! 

Depois da rádio (e de entregar meu currículo da maneira mais cara-de-pau possível para o Hugo), passei na casa do Rodolfo para pegar emprestado alguns DVDs e CDs (Wonkavision esculacha!), e fomos comemorar os poucos dias que faltavam com petiscos do Outback. Manjar de reis! Cada um que passava era aquela onda que a gente tirava... “Não tem lugar? Sabe quem a gente é? Sabe quem nós vamos conhecer? POIS ARRUME O LUGAR! Conta? Tira isso da minha cara! Vou conhecer o Weezer!” – esse era o nível da nossa marra!

Durante a semana, mais alguns detalhes surgiam e finalmente entramos em contato com o cara da gravadora no dia 23, sexta-feira. Liguei para o número que deram e quem atende o telefone é um dos caras mais fodões que eu já conheci na minha vida! Eu juro que o termo “fodão” deve ter sido inventado com esse cara em mente: Paulo “Boladão” Monte. Paulo deu as instruções finais e era isso... Em poucas horas, estaríamos indo para Curitiba, ver o show que nunca esperávamos ver em nossas vidas.

Sábado, dia 24, aprox. 7h05m. Com a mala ainda por fazer, recebo o Rodolfo em casa e me preparo com pressa para pegar o vôo, programado para partir às 9h20m. Só de conversar com ele, já dá pra perceber que nós estamos completamente pilhados para ver a banda, mas parecia que nenhum de nós tinha compreendido realmente o que esperar... Vez e outra eu parava um pouco e pensava: “Peraí, o que eu estou indo fazer? Ver weezer tocar ao vivo? Conhecer os caras? NÃO É POSSÍVEL!”

 

Continua daqui a pouco...

Para conferir as fotos comentadas da viagem, visite meu álbum de fotos. Mas cuidado para não estragar algumas surpresas!



 Escrito por Augusto às 17h59
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RECEITA PARA INATIVIDADE INTERATIVA:
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